Subsiste em Avatar,
como nas representações românticas, um impulso revolucionário. Contudo, ocorre
no filme uma alienação que se dá de dupla maneira. Em primeiro lugar, o sonho
de uma realidade humana ideal é posto em um mundo imaginário ou exótico que, na
trama, sequer é humano. Assim, o sonho da emancipação no mundo real e existente,
o mundo originário do herói, escorrega para o desespero niilista, sem qualquer
possibilidade de revolução no mundo dos humanos em que o herói vive. Ou seja,
há uma rejeição pelo herói da sociedade em que ele vive, para uma outra
sociedade, onde, nesta sim, ele poderia realizar seus potenciais
revolucionários; uma fuga da realidade política original, onde não
se poderia encontrar uma emancipação, para encontrá-la em um outro lugar, correspondente dos mais puros ideais.
Em segundo lugar, no
mundo original do herói ele se sente limitado, preso, o que inclusive é
manifesto pela própria condição física do personagem, que é cadeirante, como se
isso correspondesse a uma limitação de sua liberdade. Assim, frente a
essa atmosfera limitante e de desespero sufocante, é no outro mundo que ele
encontra sua liberdade em todas as bases, agora ele libertou-se das amarras da cadeira, pode amar (ele apaixona-se por uma nativa), aproximar-se da
natureza, dos ideais divinos e da força e espírito de revolução. Enfim, é nesse
mundo imaginário que ele pode realizar seus ideais de emancipação humana, tanto
no nível total de uma comunidade, quando no de seus próprios interesses
individuais (amor, natureza, divino, etc.).
Ironicamente, o
que era para apresentar um conteúdo revolucionário, separa a idéia de revolução
(ou a humanidade) da própria sociedade, colocando-a em um outro mundo,
inexistente. Como Sesshoumaru apontou em relação aos animes japoneses, também
em Avatar tem-se a energia utópica do herói transformada em “nostalgia e
mal-estar caótico”; um impulso revolucionário correto, mas que, paradoxalmente, recai na própria fuga da sociedade.
*Essas reflexões foram realizadas amparadas em compreensão de Raymond Williams, em sua Tragédia Moderna, sobre o movimento do romantismo. Ver também tópico de abril de 2012, de Sesshoumaru, "Titanic e Avatar. Limites e grandezas da visão de James Cameron".
*Essas reflexões foram realizadas amparadas em compreensão de Raymond Williams, em sua Tragédia Moderna, sobre o movimento do romantismo. Ver também tópico de abril de 2012, de Sesshoumaru, "Titanic e Avatar. Limites e grandezas da visão de James Cameron".
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