CONAN, O BÁRBARO – Um filme que ilustra o modo como a moral burguesa se diferencia da moral guerreira. Ele entra de maneira tão acertada no espírito dessas outras épocas que foi bastante rejeitado pela crítica jornalística local. Vivemos na época dos filmes de amor e não de guerra, embora os filmes amor já não sejam sempre realmente românticos e os de guerra raramente sejam guerreiros. Fato é que, em Conan, somos levados a um mundo em que a honra é o valor mais elevado e no qual matar não é pecado. O bárbaro tem as qualidades de um sujeito orgulhoso de si, para o qual tanto a vingança quanto a dívida são valores pessoais e não normatizados. O guerreiro é, por outro lado, um tipo social em que a palavra “amor” ainda não tem nenhum significado pessoal e daí sua despedida seca em relação à sua querida monja. Ante a ele, os modernos sentem medo e os pós-modernos uma espécie de desprezo. A riqueza do medo moderno bem poderia ser ilustrada pela personagem Naruto (do anime homônimo) e seus também civilizados companheiros de vila diante do maníaco Gaara, que construiu o sentido de sua vida ao redor do prazer e da idéia de matar.
O SEGREDO DE BROKEBACK MOUTAIN – A história de um amor masculino em que os parceiros, antes de mais nada, estão em luta contra a herança da moralidade guerreira e rústica, que sobrevive num neles. A cisão profunda e a culpa de Ennis Del Mar se realizam de todas as maneiras possíveis, um casamento perdido e frustrado, uma paternidade fracassada, a solidão e irritação permanente, e até o mal-estar físico. Só a montanha BrokeBack é o paraíso no qual o amor é possível para Ennis, mas, mesmo no paraíso, a homossexualidade é pecaminosa aos olhos do caubói e materializa-se no sacrifício dos cordeiros dos quais eles tomam conta. Somente da maneira mais trágica e cismogênica, num percurso de vinte anos, Ennis é capaz de adentrar no mundo da sensibilidade e do amor e, como um Romeu, ao fim é capaz de jurar amor. Jack Twist, por sua vez, se vê preso numa espera indeterminada pelo momento em que seu companheiro poderá acompanhá-lo, libertando-se dos grilhões de uma subjetividade antiquada para o amor. Jack Twist é o provocador/sedutor, que “salva” seu amante. Nos deparamos com uma nova fronteira da subjetividade masculina, a fronteira romântica, que em seu amadurecimento contra o mundo só pode representar-se em uma tragédia . Agora iremos para o mundo da fluidez...
IDIOCRACY – Esse terceiro filme é uma sátira ferrenha do mundo capitalista avançado, que eleva a aceleração e o movimento produtivo e destrói a profundidade proporcionada pela vivência no tempo, na história. É o fim do ego burguês centrado, é o Admirável Mundo Novo. Aqui estamos diante da terceira subjetividade de nossa brevíssima história, ou talvez da destruição da subjetividade. No governo dos idiotas, somente a mercadoria tem lógica própria e o maior dos problemas é que os seres humanos esqueceram-se de que, para produzir alimentos, é necessário irrigar as plantas com água e não com bebidas energéticas. Eis o cenário que Mike Judge traça distopicamente: o presidente é uma mercadoria ambulante, lutador e ator pornô; o sexo tornou-se propaganda de tudo; há propagandas em todas as partes; e a televisão tornou-se totalmente construídas em torno de piadas escatológicas, violência e sexo, sendo fundida ao sanitário para evitar qualquer interrupção (fluxo total). Nosso protagonista (moderno) viaja no tempo para um futuro (pós-moderno) que se esqueceu do passado, um futuro que só tem em mente a compra, a venda e o anti-intelectualismo. É hora do ditado se confirmar? Quem tem olho será rei? Ou será que os outros simplesmente o cegarão?
O SEGREDO DE BROKEBACK MOUTAIN – A história de um amor masculino em que os parceiros, antes de mais nada, estão em luta contra a herança da moralidade guerreira e rústica, que sobrevive num neles. A cisão profunda e a culpa de Ennis Del Mar se realizam de todas as maneiras possíveis, um casamento perdido e frustrado, uma paternidade fracassada, a solidão e irritação permanente, e até o mal-estar físico. Só a montanha BrokeBack é o paraíso no qual o amor é possível para Ennis, mas, mesmo no paraíso, a homossexualidade é pecaminosa aos olhos do caubói e materializa-se no sacrifício dos cordeiros dos quais eles tomam conta. Somente da maneira mais trágica e cismogênica, num percurso de vinte anos, Ennis é capaz de adentrar no mundo da sensibilidade e do amor e, como um Romeu, ao fim é capaz de jurar amor. Jack Twist, por sua vez, se vê preso numa espera indeterminada pelo momento em que seu companheiro poderá acompanhá-lo, libertando-se dos grilhões de uma subjetividade antiquada para o amor. Jack Twist é o provocador/sedutor, que “salva” seu amante. Nos deparamos com uma nova fronteira da subjetividade masculina, a fronteira romântica, que em seu amadurecimento contra o mundo só pode representar-se em uma tragédia . Agora iremos para o mundo da fluidez...
IDIOCRACY – Esse terceiro filme é uma sátira ferrenha do mundo capitalista avançado, que eleva a aceleração e o movimento produtivo e destrói a profundidade proporcionada pela vivência no tempo, na história. É o fim do ego burguês centrado, é o Admirável Mundo Novo. Aqui estamos diante da terceira subjetividade de nossa brevíssima história, ou talvez da destruição da subjetividade. No governo dos idiotas, somente a mercadoria tem lógica própria e o maior dos problemas é que os seres humanos esqueceram-se de que, para produzir alimentos, é necessário irrigar as plantas com água e não com bebidas energéticas. Eis o cenário que Mike Judge traça distopicamente: o presidente é uma mercadoria ambulante, lutador e ator pornô; o sexo tornou-se propaganda de tudo; há propagandas em todas as partes; e a televisão tornou-se totalmente construídas em torno de piadas escatológicas, violência e sexo, sendo fundida ao sanitário para evitar qualquer interrupção (fluxo total). Nosso protagonista (moderno) viaja no tempo para um futuro (pós-moderno) que se esqueceu do passado, um futuro que só tem em mente a compra, a venda e o anti-intelectualismo. É hora do ditado se confirmar? Quem tem olho será rei? Ou será que os outros simplesmente o cegarão?